Episódio 01 - Yves / Jéssica

Natural da República Democrática do Congo, Yves Abdalah teve sua infância interrompida aos 11 anos ao ser capturado por forças rebeldes e forçado a servir como soldado por quatro anos; após ser resgatado pela ONU e reencontrar a família, veio para o Rio de Janeiro viver com o pai via reunião familiar, trazendo como pertences uma pulseira feita por sua avó e guias e peças de combate presenteadas por companheiros de batalha — memórias afetivas que se conectam ao seu cotidiano enquanto caminha pelas ruas do Centro do Rio, conversa com amigos em casa, interage com vizinhos e toma café em um bar local. Já Jessica Ruth Ebaku viveu dez anos como prisioneira do exército rebelde de Koni em Uganda e fugiu da violência doméstica para salvar a própria vida, deixando as filhas temporariamente até se estabelecer em São Paulo trabalhando com gastronomia e alimentando o sonho de cursar design de interiores; ela carrega como pertences um livro de orações católicas, um lenço de sua mãe e vestimentas tradicionais, cujas presenças espirituais acompanham sua rotina em Guaianases ao lavar as compras da feira, organizar a casa e conversar com comerciantes locais.

Episódio 02 - Osama / Hadi

Entrelaçam-se as histórias de Osama Hussain e Haddi. Nascido na Arábia Saudita de família síria, Osama Hussain dependia da tutela paterna até o falecimento de sua mãe e, para não ser recrutado forçadamente para a guerra na Síria, comprou um visto humanitário e migrou sozinho para o Brasil; estabelecido em Guaratiba, no Rio de Janeiro, como fotógrafo para sustentar seu filho brasileiro, ele traz como pertences uma máquina fotográfica, um laptop, uma blusa presenteada por sua mãe e o relógio de pulso que ela usava, objetos que pontuam seu cotidiano enquanto cuida do quintal, rega as plantas, telefona para a irmã na Síria e fotografa a orla do bairro. Já Haddi teve seus estudos universitários interrompidos na Síria devido à guerra e ao ativismo político de seu pai, sendo preso três vezes antes de fugir para o Brasil e ingressar no curso de artes cênicas na UNIRIO; ele guarda como pertences as chaves de casa, o masbaha de sua mãe, uma coleção de moedas e o barbeador do seu pai, itens que ancoram sua memória enquanto acende e fuma narguilé na Lapa, barbeia-se no espelho e assiste às aulas com colegas no pátio universitário.

Episódio 03 - Sônia e Hugo / Karel e Lisandra

Conhecemos as jornadas do médico cubano Karel Sanches (acompanhado de sua esposa Lisandra) e da trabalhadora paraguaia Sonia Mabel. Formado em medicina em Cuba, Karel Sanches atuou no programa Mais Médicos no Maranhão e, com o encerramento do contrato, solicitou refúgio no Brasil para não retornar como desertor, trazendo a esposa Lisandra para São Paulo enquanto trabalha em ocupações temporárias na esperança de revalidar o diploma; ele preserva como pertences as cartas dos filhos, a foto da avó e seu estetoscópio, lembranças profissionais e familiares que acompanham seu dia a dia na Liberdade ao jogar videogame no quarto, dividindo o café da manhã com Lisandra e passeando nas festividades do Ano Novo Chinês. Já Sonia Mabel, de origem indígena guarani no Paraguai, enfrentou maus-tratos familiares e a pobreza extrema antes de viajar em um ônibus clandestino para São Paulo com falsas promessas de emprego; após superar condições humilhantes de exploração, reuniu o marido e as filhas na Ocupação 9 de Julho, mantendo como pertences suas cuias de chimarrão e fotos de sua família, elementos de aconchego cultural que se revelam enquanto prepara o mate, atende mensagens e cozinha pratos típicos paraguaios para feiras comunitárias.

Episódio 04 - Mariama e Mai / Hayatt e Sukaina

Vinda da Gâmbia, Mariama foi forçada a se casar aos 13 anos e teve Mai desse matrimônio; após conquistar o divórcio e migrar para o Rio de Janeiro buscando autonomia como produtora cultural e dona da grife Sabali, organizou um financiamento coletivo para trazer a filha e salvá-la de um casamento arranjado aos 15 anos. Mariama trouxe como pertence uma foto de sua mãe mantida junto ao próprio corpo, enquanto Mai trouxe fotos de família, roupas tradicionais, o Alcorão e hijabs, tesouros familiares que acompanham seus momentos de estudo em Del Castilho, a participação em feiras na Gamboa e passeios pelo Porto Novo. Já Hayat e Sukaina deixaram o Marrocos após perderem seus direitos patrimoniais pelas leis locais e sofrerem assédio, encantando-se com a liberdade feminina em São Paulo, onde Hayat trabalha como faxineira e Sukaina estagia em um tribunal estadual; elas mantêm como pertences roupas tradicionais, chás e as medalhas de combate de Sukaina, lembranças do lar que se entrelaçam à sua rotina no Bixiga ao lerem juntas no quintal e almoçarem em lanchonetes próximas ao trabalho.

Episódio 05 - Família Al Hariri / Família Moreno

Formada por Mohammed e Arwa, a Família Al Hariri fugiu da guerra na Síria e viveu seis anos no campo de refugiados de Zaatari, na Jordânia, antes de vir para o Brasil e abrir um restaurante em São Paulo em homenagem à filha nascida no país; trouxeram como pertences roupas tradicionais para os filhos, o Alcorão, um narguilé, bombas para mate, hijabs e fotos do casamento e lua de mel, símbolos de união que emolduram sua rotina ao prepararem salgados árabes na cozinha e levarem os filhos para brincar no Parque da Consolação. Já a Família Moreno, liderada por José Alejandro e Maria Gabriela, desfrutava de uma vida estável na Venezuela até que a crise econômica e a desnutrição gestacional forçaram sua mudança para o Rio de Janeiro, onde superaram despejos até se estabelecerem na Tijuca com eventos e gastronomia; a filha mais velha trouxe um cofre com fotos e lembranças da família, enquanto o pai carrega uma mala com objetos sagrados, relíquias que conectam seu lar à fé e às origens enquanto José Alejandro organiza artigos religiosos, realiza compras no mercado e acompanha os filhos nos estudos.

Episódio 06 - Tony e Michelly / Família Tanji

De origem palestina e nascida como refugiada no bairro de Al Yarmouk, na Síria, a Família Tanji — representada por Haifa, Mohammad Ali e a filha Yara — fugiu dos intensos bombardeios em Damasco sem conseguir resgatar quase nada, recomeçando a vida em São Paulo com a venda de culinária artesanal árabe; Yara trouxe como pertences dois cachorros lulus da pomerânia e uma mala com pertences recuperados, afetos vivos que acompanham o cotidiano da família na Cidade Patriarca ao prepararem chás tradicionais e visitarem feiras de antiguidades no Bixiga. Já a poetisa iraquiana Mithal e seu filho Tareq sobreviveram ao bombardeio de sua casa em Bagdá que vitimou o pai e, após passarem pela Síria e pelo Equador, estabeleceram-se em São Paulo vendendo doces e salgados árabes; Mithal guarda como pertences a bolsa resgatada dos escombros, os boletins e certificados escolares de Tareq e um crucifixo de 1840, objetos sagrados que cercam sua rotina ao jogarem xadrez na sala, comprarem especiarias na Zona Cerealista e realizarem entregas de encomendas no Centro.

Episódio 07 - Hortense / Koffi

Advogada e defensora dos direitos das mulheres no Congo, Hortense pertence à etnia Luba e foi presa e torturada por denunciar fraudes eleitorais em 2011; fugiu com seu bebê de três meses para o Brasil, onde reencontrou o marido na Cáritas e atua em movimentos sociais e comunitários em Itaquera; ela trouxe como pertences sua carteira de advogada, sua toga e um livro sobre direito, símbolos de sua vocação que acompanham sua rotina doméstica e conversas com outros imigrantes no Centro de São Paulo. Já Koffi Donaldo engajou-se no ativismo político no Togo aos 12 anos e, após sofrer prisões e perseguições no Benin e no Senegal, veio ao Rio de Janeiro para um congresso em 2014 e decidiu não retornar, trabalhando como porteiro na Gardênia Azul; ele conserva como pertences seus diplomas, fotos de sua mobilização política, uma insígnia de madeira e o uniforme do Togo, memórias de honra que se desdobram em seu dia a dia ao organizar a casa nova e caminhar pelo parque vestindo suas peças do movimento escoteiro.

Episódio 08 - Marifer e Carlos / Eddy e Jorge

Na Venezuela, Carlos Daniel atuava na TV estatal e recusou-se a assinar licitações corruptas do vice-presidente, o que levou ao sequestro e tortura dele e de sua companheira Marifer; após escaparem, reconstruíram a vida em São Paulo fundando um serviço de gastronomia vegetariana e atuando em abrigos comunitários, trazendo como pertences bongôs, uma bíblia, a imagem da Virgem Maria e os dreadlocks raspados no cativeiro — relíquias que inspiram seu trabalho diário em casa no Tatuapé e suas conversas em praças do bairro. Já o casal cubano Eddy e Jorge enfrentou homofobia estrutural e restrições profissionais em Cuba antes de empreenderem uma perigosa travessia por fronteiras até Copacabana, onde Eddy trabalha como porteiro e Jorge como garçom; Eddy trouxe como pertences uma pedra de Ogum, um coelho de pelúcia e fotos de seus pais falecidos, protetores afetivos que se somam à sua rotina na kitnet ao cuidarem do cãozinho, cumprirem tarefas na portaria e servirem mesas em um restaurante local.

Episódio 09 - Marc / Lucien

Formado em diplomacia no Haiti, Marc Pierre foi vítima de um golpe ao buscar bolsas de estudos no Equador e migrou para o Brasil com visto humanitário, concluindo o mestrado em ciências sociais para pesquisar questões raciais; ele carrega como pertences seu diploma acadêmico, fotografias e cartas de amigos, papéis repletos de afeto que acompanham suas leituras matinais na varanda em Pinheiros e sua participação ativa na Marcha da Negritude na Avenida Paulista. Já Lucien Agossou viu seus estudos na Costa do Marfim interrompidos pela guerra civil de 2002 e viveu anos sem documentos no Benin antes de buscar refúgio no Brasil, onde concluiu mestrado e doutorado em relações internacionais na UERJ analisando o processo de conciliação marfinense; ele guarda como pertences seu diploma, um terço e roupas tradicionais confeccionadas por suas irmãs, objetos que conectam sua fé e herança familiar à sua rotina no Engenho de Dentro ao arrumar malas e pesquisar livros na biblioteca universitária.

Episódio 10 - Mara / La Santa Mala

Mulher trans angolana, Mara Liona sofria graves agressões em seu país e acabou presa injustamente no Brasil por quatro anos ao transportar sem saber a mala de uma amiga com drogas; sem poder retornar após a morte da mãe e perda de bens, pediu refúgio e estabeleceu-se no Rio de Janeiro trabalhando com extensão capilar em Madureira, mantendo como pertences dois colares de sua mãe e seu documento de identidade original, lembranças do amor materno e de sua história que a acompanham ao organizar seu box comercial e atender suas clientes. Já o coletivo de hip-hop Las Santa Mala, formado pelas irmãs bolivianas Jenny, Abigail e Pamela, reuniu-se em São Paulo após Jenny ser resgatada de uma oficina de costura com trabalho análogo à escravidão; juntas fundaram a grife Kantupac e o grupo musical na Vila Maria, trazendo como pertences o tecido tradicional com que a mãe as carregava, fotos, CDs de rap e objetos típicos, símbolos do aconchego materno e identidade cultural que inspiram sua rotina doméstica ao cuidarem dos filhos e passarem o som para apresentações no SESC.

Episódio 11 - Khassim / Mohammed

Formado em direito no Senegal, Khassim Loum não encontrou oportunidades por falta de conexões com elites locais e migrou para o Brasil após a Copa de 2014, estabelecendo-se no Rio de Janeiro como vendedor ambulante nas praias para enviar sustento aos familiares; ele preserva como pertences o Alcorão, seu tapete de orações e trajes tradicionais, objetos que alimentam sua fé e pertencimento cultural enquanto cozinha pratos típicos em Irajá e realiza suas orações no chão da Mesquita de Vila Isabel. Já Mohammed El Jazouli abandonou seu cargo em um banco estatal no Marrocos após participar da Primavera Árabe e enfrentar uma grave crise depressiva provocada pela perseguição política; vindo ao Rio durante as Olimpíadas de 2016, reconstruiu sua vida dando aulas de línguas e caligrafia no Abraço Cultural, trazendo como pertences uma câmera fotográfica, címbalos musicais e pulseiras artesanais presenteadas por crianças órfãs — afetos que marcam seu cotidiano em São Cristóvão ao preparar chá marroquino, praticar caligrafia e lecionar para alunos na Tijuca.

Episódio 12 - Sra Lee / Sam

Nascida no leste da China, Lee Man fugiu ainda jovem durante a Segunda Guerra Mundial para escapar da invasão japonesa, cruzando o deserto de Xinjiang até embarcar para a América do Sul e construir sua vida em São Paulo, onde leciona pintura chinesa aos 95 anos; ela preserva como pertences baús, um ábaco, panelas tradicionais, pincéis de pintura e fotos antigas de família, tesouros ancestrais que cercam sua rotina em Pinheiros ao ministrar aulas tradicionais em casa e praticar Tai Chi Chuan na praça com a família. Já a historiadora da arte filipina Sam trabalhou cinco anos como au pair na China e veio a São Paulo acompanhando uma família abastada, enfrentando jornadas abusivas sem direitos até denunciar os patrões e solicitar refúgio; ela guarda como pertences cartas das crianças de quem cuidou na China, adereços de cabelo de sua mãe e fotografias de familiares e amigos, preciosidades que trazem conforto ao seu cotidiano no Morumbi ao preparar chá, cuidar da casa e passear com amigas pela Avenida Paulista.

Episódio 13 - Ninibe e Leo / Sr Renan

Ameaçados por grupos paramilitares de extrema-direita na Colômbia, Ninibe e Leonardo percorreram nove mil quilômetros de carro pela América do Sul com os filhos até o Brasil, trazendo como pertences o carro da travessia e uma escultura de coração de lata com sapatinhos em seu interior; essa jornada se conecta ao seu cotidiano em Copacabana, onde confeccionam bijuterias, preparam telas em casa e pintam quadros no calçadão conversando com turistas. Já Renan Adolfo narra sua militância operária e a fuga do Chile durante a ditadura de Pinochet após o sequestro e tortura de seu irmão, tendo reconstruído a vida no Brasil como metalúrgico e proprietário de uma empresa de manutenção industrial enquanto guarda como pertences as fotos dos pais e a moeda de seu tio; sua rotina em São Bernardo do Campo desdobra-se entre o café da manhã com a esposa, momentos no sofá tocando canções políticas ao violão e o trabalho diário com o maquinário em sua oficina.

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